Marcelo Tas fala sobre audiolivro de David Sedaris
Leia a entrevista de Marcelo Tas falando sobre o audiolivro “Engolido pelas Labaredas”, e do autor da obra David Sedaris. Também participe da promoção da Nossa Cultura no Twitter e concorra a um audiolivro autografado pelo jornalista multimidia!
- Você já tinha contato com a obra de Sedaris? O que você acha do trabalho desse autor?
Conheci Sedaris ao vivo, na Flip de Paraty, em 2008, antes de conhecer sua obra literária. Fiquei fascinado pelo seu humor e inteligência. Depois, devorei vários dos seus livros de crônicas. Sua grande virtude é a precisão e crueldade para descrever os seres humanos no cotidiano.
- Do que tratam essas histórias que estão no audiolivro? Alguma favorita?
Sedaris veio de família caipira, do interior dos Estados Unidos. É gay assumido e viveu em várias partes do mundo com o seu parceiro. As histórias de “Engolido pelas Labaredas” são fatos de sua vida errante entre Nova York, Tóquio, Paris e sul da França. Difícil escolher uma. Há uma absurda, de um choque cultural com um motorista de taxi, depois de anos que ele não pisava em Nova York. Mas talvez minha favorita seja o dia em que a cabana no meio de uma florestinha no Sul da França, um ambiente super relax e ecológico, é atacado por passarinhos. Sedaris consegue afungentá-los colando fotos de terroristas, que ele arranca de páginas de revistas, nas janelas da casa.
- Sedaris teve uma ligação com o rádio nos EUA e fazia leitura ao vivo de seus próprios textos. Você acha que em função disso essas histórias combinam com o formato de audiolivro?
Sim, o fato dele ser um grande comunicador de rádio, torna os textos bastante apropriados para o formato audiolivro. Ele já escreve de um jeito gostoso de ler e ouvir.
- Como foi dar voz a um texto? Que tipo de ritmo você imprimiu para narrar esses textos?
Foi extremamente difícil. Pensei que faria o trabalho em duas semanas e levei meses, quase um ano! O texto, apesar de simples e direto, tem vários personagens falando, além da voz do próprio autor. O mais difícil foi encontrar o tom do autor. Depois ficou fácil e divertido, fazê-lo, às vezes, imitando a voz dos seus parentes e desconhecidos que foi trombando pela vida afora.
- Que recado você daria pra quem ainda não tem contato com o formato de audiolivro e com a obra de Sedaris?
Sedaris é um grande contador de histórias. Daqueles raros, que faz de uma briga de marido e mulher, numa calçada em Paris, a luta do século. É tão habilidoso com as palavras que nem deixa a gente notar a sua genialidade, o que fica é o humor e a emoção de nos depararmos com a fragilidade, o ridículo e a beleza da alma humana.
